Iniciei o texto sobre o desenvolvimento do RESGATE_002, com o incrível Pedro Magiti, falando sobre como o projeto havia nascido de ideias trocadas com ele. E com o ARNECKE não é diferente, ambos foram mais do que importantes para o desenvolvimento desse projeto.
Entrevistei o Zé ainda no meio do ano passado, quando escrevia para a UNDGND Archive, e ali já pude ganhar a ideia de quem era ele, e como nos parecíamos. Talvez seja algo que eu só fui desenvolver o pensamento depois, porém é um dos motes disso aqui. Temos a mesma idade, crescemos em ambientes distantes, mas consumindo as mesmas coisas, cada um desenvolvendo os pensamentos de sua maneira. Fica aqui também um complemento, conheçam a ARNECKE, consumam, comprem, usem.
Ah e não menos importante, Zé é do sul, Rio Grande do Sul, um ambiente completamente diferente do ABC paulista, com outras influências, culturas e leituras da vida.
Entretanto, a cada pessoa nova conhecida, projeto construído, ou as vezes só uma troca de ideia em qualquer canto, tenho a certeza de que mentes pensantes e que vibram no mesmo nível se aproximam em determinado momento.
E a grande pergunta durante todo esse processo foi, como falar do que pensamos sobre futebol? Poderíamos discorrer aqui sobre os camisas 8 do futebol, a moda nesse meio, nossos RESGATES nostálgicos dos primeiros anos que nos lembramos do jogo, mas nada seria tão real quanto falar da paixão de cada um: Corinthians (eu) e Grêmio (Zé).
Quando pensamos nisso já fui buscar momentos nas revistas que aqui estavam guardadas, Zé foi atrás de momentos que ele achava importante e depois de muitas conversas chegamos ao ponto: a (não)relação entre Corinthians e Grêmio.
Todos os paralelos que tentávamos traçar, não podiam ser cruzados. Culturas diferentes, arquibancadas, uniões, cores, jogadores, torcidas, tudo simplesmente era distante. E não era nem um caso de ser o oposto, mas sim distante. É aí em que moram as histórias, deve existir um por que disso, então, tentamos traçar e demonstrar essa não união por meio de gráficos, desenhos absurdos com a estética de Zé, scans e o toque RESGATE das coisas.
Antes de dar início, tradição não deve ser quebrada. Segue aqui uma playlist para acompanhar essa leitura:
Em parte da conversa, tentamos entender onde o outro criou uma consciência sobre o outro time. Me lembro de todos os jogos no sul serem insuportáveis, existia a história do Grêmio ter nos rebaixado, os jogos pareciam sempre a parte do campeonato. Me recordo daquele jogo em 2011, Corinthians x Grêmio, gols de Liédson, voltamos para São Paulo com os 3 pontos, que foram importantes na sequência do nosso penta brasileiro.
Ali me recordo de ter 7 anos, e ter acabado com aquele fantasma azul e branco que todo jogo aqui e lá eram chatos.
Soa irônico começar isso aqui com um gráfico que leva muito vermelho, cor rejeitada e impossível de ser relacionada com o Grêmio. Tévez, ou então Carlitos para os mais chegados, foi um argentino que além da carreira toda em Manchester, Itália e Argentina, foi no Parque São Jorge que o "Pibe" fez história (particularmente falando).
E aqui vem uma relação muito distante, mas que é válido introduzir. Rio Grande do Sul é um ambiente que resguarda muito da cultura gaúcha dividida entre Uruguai, Argentina e o próprio estado brasileiro.
Os times do sul sempre contaram com grandes jogadores desses países, a torcida, o estilo de jogo, tudo. Apesar de sempre contarmos com essa troca entre jogadores e nacionalidades, a cultura paulistana não se aproxima dos hermanos.
Mas Carlitos, cria do bairro de La Boca, uma das quebradas argentinas mais cabulosas, se identificou com o time protegido por São Jorge, e no fim ele parecia mais um dos filhos de Jorge espalhados por aí.
Dando um pulo ainda maior no tempo, esse recorde de uma Revista Placar do ano de 1980 de Elis Regina, uma das artistas mais importantes da música popular brasileira, contando sobre sua dualidade entre os times.
Engraçado pensar que talvez, essa seja uma das maiores coincidências entre os clubes, e é uma história não tão valorizada pela memória de ambos.
A edição ainda conta com outras cantoras da época, que dividiram com a revista suas escolhas dentro das quatro linhas
fala arnecke sobre
Se contamos a história de um dos ídolos do Grêmio junto dos rabiscos do Zé, agora é a hora de contar sobre Edílson, o capeta. Eu tinha medo daquela narração do Luciano do Valle, na semifinal do Mundial de 2000.
Me perguntava, porque alguém se autodeclararia 'O Capeta' e isso seria tranquilo? Pois bem, talvez nem fosse Edílson que pensasse isso de si próprio, mas pode ter certeza que o time inteiro do Palmeiras em 99 e a zaga do Real em 2000 acharam.
Liso, rápido, inteligente para passar dos adversários, um bom malandro em campo. O recorte faz parte de uma das fotos icônicas, daquela final de Paulistão entre Corinthians x palmeiras, que terminou empatada em 2x2 mas com socos e chutes para todos os lados. Era uma diversão para mim quando criança ver essas brigas, não me recordo de nenhum dos gols desse jogo, mas sei frame a frame do conflito.
E só para caçar um contexto com os amigos do sul, Grêmio e Palmeiras tem uma aliança entre torcidas, portanto, aqui talvez não fossemos tão amigos assim.
Continuando sobre as rivalidades, aqui não podia faltar a dupla que criou um adjetivo para polarizações. Grêmio e Inter, cresci escutando que não importa o que houvesse, era o maior clássico do país.
A cultura é tão forte, que eu já nem sei se é lenda ou não, mas ainda novo escutei e vi fotos (provavelmente montagem) de que a Coca Cola, marca tradicionalmente conhecida pela cor vermelha, haveria mudado suas cores nos arredores do estádio do Grêmio por livre e espontânea pressão.
O Gre-Nal teve início em um 18 de julho de 1909, com o placar de 10x0 para o Grêmio. Como se tornaram rivais depois desse amasso?
Aqui uma relação engraçada. Essa rivalidade acontece por conta da fundação do Inter em 1909, proveniente de ex-membros do Grêmio, que após um racha resolveram criar o próprio clube, de cor distinta ao rival de cidade, dando origem a essa raiva centenária.
Entretanto, em São Paulo as coisas não são diferentes. Corinthians e Palmeiras tem uma rivalidade proveniente do mesmo modelo. Quando a equipe de operários estava ainda se habilitando, alguns jogadores resolveram sair para ir jogar no palestra itália, que viria a se tornar o clube italobrasileiro, e os nomes envolviam Bianco Spartaco Gambini, capitão do nosso primeiro título, Amílcar Barbuy, Police, Fúlvio e Américo.
fala arnecke sobre a rivalidade
É necessário falar de Adenor.
Adenor Bachi Tite, ou simplesmente Tite, é um senão o maior treinador da história do Corinthians. É difícil falar sobre hoje, depois de todo o retrospecto em ter recusado o clube que o prospectou ao mundo por 4 vezes. Após 2015 virei o maior fã do Tite, tinha para mim que nos traria além da libertação no dia 4 de junho de 2012, o Hexa em 18 ou 22.
Mas antes de tudo isso, o gaúcho treinou o Grêmio em 2001, conquistando a Copa do Brasil e o Campeonato Gaúcho.
Dali em diante, treinou o Corinthians uma vez em 2004-2005, e depois na época de ouro entre 2010-15 no Parque São Jorge.
Saudades? Não sei, acredito que não. Esperaremos o tempo passar para esquecer o que o Adenor nos fez. No entanto, fica ai mais uma coincidência entre nós e os amigos do sul.
Aqui uma história legal sobre o desenvolvimento.
De todas as peças produzidas, acredito que essa seja a que mais traduza o que eu e o Zé produzimos. Quando você olha não aparenta ser nada demais, porém, isso poderia ser uma peça exposta com uma lupa para verificar cada minuciosidade.
A coluna de Carlos Maranhão discorre sobre a reação da torcida do Corinthians após a vitória de um campeonato em 79. Entre os detalhes, a reação da torcida em ruas como a Avenida Paulista, Tiradentes e na São João, que foram ao êxtase com o campeonato.
Entretanto, Zé dá vida a essa história com um gavião sob suas tradicionais riscas, e ao fundo alguns detalhes em branco que pasmem, são registros de um processo de costura sob o scan em papel.
Duas torcidas diferentes, que surgem com diferentes influências e se movimentam em caminhos distintos. De um lado a Gaviões da Fiel, conhecida por suas invasões, pelo mar negro. De outro, a popular do Grêmio, que funciona em um formato de 'Barra' (assim como as argentinas), onde o que conhecemos como bandeirões viram trapos, em SP a "voz" vira o alento por lá, entre outras diferenças.